Às mães de todos os tipos: Feliz Dia!

Todas as mães se tornam mães em momentos diferentes. Creio que a maioria se transforma em mãe no momento de um teste de gravidez positivo, ou ao espreitar um pequeno ser mexeruco na primeira ecografia. Há as que apenas se sentem mães quando pegam o seu rebento nos braços, e sentem o seu cheirinho pela primeira vez. Há as que se tornam mães quando ouvem o primeiro choro do bebé. Há as que se sentem mães já decorridos uns dias [ou meses, ou o tempo que seja] depois do seu rebento nascer. Há as que se tornam mães no momento em que sentem dentro de si a vontade de o serem, e são mães no seu coração, muito antes ainda de terem vida a crescer dentro do seu útero.

Algumas destas mães, nunca chegam a ter vida a crescer dentro do útero, por diversas razões [ou injustiças] da biologia, do destino, sei lá… Mas são mães. Outras demoram muito tempo a consegui-lo, mas são mães desde que o desejam.

Algumas destas mães têm o seu sonho interrompido na gravidez, e permanecem de colo vazio. Mas são mães.

Algumas têm gravidezes difíceis, quer por razões médicas, quer por terem algumas expectativas defraudadas. Mas são mães.

Algumas têm gravidezes fáceis, e quase nem se lembram que estão grávidas, e são mães também.

Algumas não lidam bem com a realidade que foi o seu parto, vs as expectativas que tinham, mas são mães.

Outras sentem-se tristes, não compreendem porquê, e não partilham com ninguém, porque acham que a sociedade não vai perceber como é possível estar triste numa altura que é “a melhor da vida de qualquer mulher”. E sofrem em silêncio. Mas são mães.

Outras zangam-se de vez em quando com essa sociedade, por nunca ter clarificado que a maternidade é difícil, é um desafio que nem sempre se reveste de cor, e é mesmo assim! E não há mal nenhum nisso. E são mães.

Outras passam pela experiência sem stress, e tudo é realmente cor de rosa a 100%. E são mães!

Algumas têm o privilégio de ter filhotes saudáveis, mas outras têm pequenos com o mais diverso leque de doenças, e lidam diariamente com os desafios que vão surgindo. Umas vezes com força inabalável, outras com desespero, mas sempre com a esperança de que melhores dias virão. E todas são mães.

Algumas vêem os seus filhos morrer antes delas: na gravidez, no parto, em recém nascidos, ou adultos, E são mães, nunca deixam de ser mães.

Há também as mães que não geraram os seus filhos, mas são mães. São pessoas sem qualquer ligação de sangue ao filho, ou são avós, ou tias, ou…sei lá. Acolhem no seu coração de mãe alguém que considerarão para sempre filho, porque a mãe de sangue, seja por que razão for, não pode ser mãe. Podem ser também pais…não há por aí tantos papás que são também mãe, para além de pai?

Eu senti-me mãe na primeira ecografia. E a partir do momento em que me tornei mãe, não mais deixei de o ser. Fui mãe enquanto a minha filha estava na UCIN e tinha outras “mães” e o pai também foi mãe. Fui mãe enquanto lhe dei colo, horas antes dela morrer. Fui mãe no funeral dela. Fui mãe noutro teste de gravidez positivo. Fui mãe em todas as ecos, e em todos os dias em casa, e todas as “picadinhas” na barriga para o L crescer bem e saudável. Fui mãe em todos os medos relacionados com a gravidez. Fui mãe em todos os medos relacionados com o parto. Fui mãe na falta de força para puxar que tive no final. Fui mãe nas dificuldades que tive a dar a maminha, tal como fui mãe nos momentos em que tudo correu bem. Fui mãe quando o entreguei para as mãos de uma enfermeira para ser operado, ou quando o entreguei nas mãos do médico para o engessarem desde as pontinhas dos pés até às virilhas. Sou mãe em cada momento cúmplice, sorriso, canção partilhadas com o L. Sou mãe em cada suspiro ou lágrima de saudades da minha Nô. Sou mãe quando sou a mãe que quero ser, mas também sou mãe quando estou de rastos com cansaço, e perco a paciência momentaneamente, ou falo mais alto. Sou mãe quando preparo tudo a preceito com alimentos biológicos, mas também sou mãe quando descontraio e vamos comer fora, e sei que se arranjará qualquer coisa descontraída para o L poder comer. Sou mãe quando dou carinho, e sou mãe quando tento estabelecer limites, da melhor maneira que sei. Sou mãe quando tenho a casa arrumadinha (geralmente só umas horas depois da colaboração da “nossa” Liliana, admito), ou quando a casa está num caos. Sou mãe. E faço o melhor que sei, e sempre com margem grande de evolução.

E por isso deixo os meus parabéns a todas as mães. Admiro todas, e todos os dias, mas fica aqui o registo escrito hoje. FELIZ DIA DA MÃE :)

0% BPA

Confesso que antes de ser mãe, nunca tinha atentado verdadeiramente na questão do bisfenol A (ou BPA para os amigos). Não é que agora domine o assunto, mas a forma quase sensacionalista como maioria das marcas de bebé ressalva o “BPA free”, fez-me reconsiderar o uso de recipientes de plástico ou similares sobretudo para armazenar comida. Praticamente deixei de usar caixas de plástico, e substituí todas por vidro. O mesmo para o L, mantendo apenas algumas das tais sem BPA. Algumas empresas juram a pés juntos que é uma preocupação infundada… mas como também não se sabia que o amianto era prejudicial à saúde até passarem vários anos da sua utilização, prefiro jogar pelo seguro, mesmo que esteja a ser parvinha. Por isso agora não me venham cá dizer que o vidro também pode ser perigoso, por favor… Agradecida! :P

Têm cuidados nessa área? Alguém mais entendido nesta matéria desse lado, que queira acrescentar algo relevante? Obrigada desde já, adoro aprender! Nem que tenham que me chamar croma por estas decisões! :)

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Carnaval de sonho da Mamã Bio em 3 passos

1 – Mamã Bio vê, em 2003, um dos filmes mais  bonitos sobre a família, a resiliência e o AMOR (chama-se “Na América“), e há uma cena super fofa em que os pais de duas pequenas amorosas decidem fazer-lhes os fatinhos de Carnaval, pois não têm possibilidade económica de os comprar. São as únicas meninas com fatos feitos à mão, e são um pouco gozadas pelos outros meninos. Decidi naquele momento que quando tivesse um pequeno também lhe havia de fazer fatinhos de Carnaval à mão.

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2 – Em 2017 Bebé L frequenta uma escola que estimula os pais a fazerem os fatinhos de Carnaval aos pequenos. YESSSSS!

3 – Mamã Bio apercebe-se que em teoria é tudo muito bonito, mas na prática é uma pessoa muito pouco prendada para trabalhos manuais (incluindo costuras). Jeitinho para coser, só mesmo pele “rachada” :/ Mas Mamã Bio deu o seu melhor, e espera que as pessoas reconheçam o fato, e achem o miúdo integrado na temática da sala (que é “Os anõezinhos”). Wish me luck!

Escapadinhas #3 Cooking and Nature

Há cerca de um mês estávamos por esta hora a caminho de uma “escapadinha” especial, a caminho do Hotel Cooking and Nature, que desde 2013 repetimos todos os anos pelo menos uma vez. Em 2013, foi o nosso refúgio durante uns dias. Dos dias mais difíceis da minha vida, depois da minha borboleta voar… E cada recanto do hotel, cada música que ouvi, cada aroma que senti, ficou gravado para sempre em mim como símbolo da felicidade que teimei em reencontrar. Em honra à minha borboleta. E como que para testemunhar e selar este meu compromisso comigo mesma, várias dezenas de borboletas esvoaçavam pelos jardins do Hotel. Em 2013 foi assim. Ficámos no quarto Simplicidade/Meditação. Experimentámos o workshop de cozinha, em que, com as indicações de um Chef, cozinhamos o nossos próprio jantar.

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Em 2014, regressámos os dois, ao Aconchego/Protecção. Em 2015 fomos já 3, e foi o culminar do meu voto de ser feliz… É um desafio bem menor, tentar ser feliz com um pirralhinho bem disposto como o L! :) Ficámos no Passado/Nostalgia. Lembro-me que foi a primeira saída a 3 para passar o fim de semana fora de casa, e foi memorável. Usei pela primeira vez o avental de amamentação da Pulguinhas (só descobri que tal artigo existia alguns dias antes), lembro-me que o miúdo ainda mamava a toda a hora, desalmadamente, mas nos intervalos ainda deu para realizar algumas actividades básicas, como cantar ou tocar para ele…

As refeições ainda eram feitas com o desejo secreto de que ele estivesse a dormir a essa hora, para conseguirmos comer alguma coisa… É que o rapaz adorava colo, mas de preferência colinho em modo passeio. Esperar no carrinho, ou ter um colinho com a pessoa sentada não parecia muito do seu agrado. Por isso também me lembro bem dele não ter dormido, e lá andar eu e o pai a mostrar o restaurante ao pequeno à vez :P

Este ano, o rapagão já passou a fronteira além do leite materno, e as refeições partilhadas com ele são muito mais divertidas…

Pois bem, há umas semanas, o A. perguntou-me: “Então e este ano, quando vamos ao Cooking?”. Tínhamos à nossa frente uns fins de semana complicados, mas não podíamos deixar passar a visita… Lá arranjámos um em que deu, e reservámos. Ficámos no Futuro/Destino e foi o nosso preferido até agora (não só pelo nome ;)). O quarto todo alcatifado foi um descanso para os passinhos para a independência do L, e descobriu por lá imensos recantos para a brincadeira. No quarto, e pelo hotel todo…

Conseguimos ainda fazer uma visita às Gruta da Moeda, e não sabíamos bem qual seria a reacção do L. Mas enfiadinho no marsúpio, às costas do pai, adorou o percurso e espreitar os recantos que iam surgindo. E toda a “bábua” que se via por lá. Felizmente não reparou nas moedas dos vários lagos artificiais, senão tenho a certeza que em vez de atirar uma, ele queria era tirar algumas para trazer para o seu leãozinho-mealheiro. A caminho do hotel, reparámos num sinal que dizia “Pia do Urso – EcoParque Sensorial” e fui logo espreitar o que seria… Pelo que o Google me deu a entender, era uma pequena aldeia com um percurso de diversas experiências sensoriais, pensadas de raíz para invisuais, mas que nos leva numa sensação mágica de convivência com o meio circundante. Claro que fomos espreitar, e adorámos! A recuperação da aldeia conjuga-se na perfeição com os elementos naturais sempre presentes, e o percurso é fantástico para crianças. O L adorou, desta vez às costas da mamã. Mas ficou a vontade de voltar, para desta vez ele sentir o percurso pelo seu próprio pé.

À noite, no hotel, espreitámos o “fogoooo” (palavra nova que o L aprendeu no fim de semana) que se acende na zona exterior do hotel. Brincámos muito antes da hora de ir dormir, e a noite correu muito bem (como não está habituado a dormir em berço, ficamos sempre com esse receio, mas não houve problema). De manhã, atacou o pequeno almoço cuidadosamente preparado com produtos frescos e locais.

Fica sempre a vontade de voltar…e para o ano haverá, certamente, mais! :)

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Ser Mãe-Médica. [ou Médica-Mãe?]

A minha profissão dificulta-me bastante o papel de mãe. Não é tanto pelo tempo, porque felizmente a Medicina Geral e Familiar não me obriga a trabalhar fins-de-semana, e em comparação com colegas de outras especialidades, não posso queixar-me nesse âmbito. Mas claro que o trabalho médico não acaba quando saio do Centro de Saúde, e muitas vezes chego a casa não só com o L. e o A. à espera, mas junto a eles uma pequena pilha de coisas a ler, a estudar, a organizar. Mas como disse, nem é tanto por aí…

O pior parece-me ser saber de mais. Imagino que todas as mães se preocupem à mínima coisa. Mas saber tudo o que cada sintoma pode ser e virem logo à cabeça as coisas mais raras [e graves] é terrível. Durante o dia de trabalho, sou aquela pessoa que acede aos conhecimentos médicos de forma racional, e acalma os corações assustados das mães em relação a preocupações com os seus rebentos. Depois disso, visto o papel de mãe stressada, e parece que se vai todo o meu discernimento. Tenho para mim que não devo tomar decisões acerca da saúde do Leonardo. A médica dele aconselha, medica, e eu cá estou apenas para calcular a dose adequada de antipiréticos e pouco mais. Sinto-me mais confortável assim.

Por outro lado, sinto-me muito mais capaz de aconselhar as recém mamãs sobre a sua saúde e a dos seus petizes, porque apesar de ter tirado um curso para isso, há várias temáticas (a meu ver essenciais) muito pouco abordadas durante o curso (alimentação, amamentação, higiene, etc). Assim sou sem dúvida uma médica mais capaz por ser mãe. Se sou uma mãe mais capaz por ser médica, é que já tenho grandes reservas.

Tenho realmente dificuldades em dividir estes dois papéis que compõem a minha pessoa. Mas vou treinando a cada dia que passa ;)

Dia de Acção de Graças

Hoje ouvi falar muito da Black Friday. Parece que também já pegou moda por aqui. Mas não liguei nos anos passados, e não me parece que vá ligar nada este ano.

No entanto há um dia tradicional que desde miúda me fascinou nos filmes e séries americanos que ia vendo: o Dia de Acção de Graças. Acho o seu teor muito positivo, e não me importava nada de “importar” algo parecido para nós… [Claro que os mega jantares que se vêem também são sedutores, sabe quem me conhece que adoro uma boa comezaina! :P] Quem sabe não se cria uma tradição na minha família, e não começamos a reunir-nos para um jantar acolhedor, e declaramos tudo aquilo por que estamos gratos, um por um?

Eu sinto-me grata muitas vezes. De certeza que não tantas como devia, e por isso este dia é uma boa maneira de o recordar. Sinto-me grata pela minha família (a de sangue e a que fui escolhendo ao longo da vida entre os amigos), pelos amigos. Sinto-me grata pelo marido/namorado/companheiro/pai/amigo que é o A. Pela bebé L que na sua breve passagem pela Terra me fez mãe e me trouxe tanto. Pelo bebé L, que todos os dias me mostra que é possível o coração expandir-se em amor de forma infinita e incontrolável. Pela profissão que sempre foi o meu sonho e consegui alcançar. Pela minha saúde e a dos meus que, mesmo com alguns obstáculos, não nos tem deixado ficar mal. Por ter uma vida confortável, com tudo o que preciso para as necessidades mais básicas, e alguns luxos para além dela. Pela arte que nos rodeia (sobretudo música e cinema). Pelo Natal [ADORO o Natal!]. Pelas estrelas no céu, apesar de só saber identificar umas 3 constelações. Por todos os dias em que acordo para mais 24 horas de todas estas coisas boas (apesar de nem todos os dias ter consciência de que estou agradecida por eles).

Desse lado, há agradecimentos a fazer? :)

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Dia Mundial da Prematuridade

Hoje muitas famílias “celebram” o Dia Mundial da Prematuridade. Pequenos guerreiros, que nascem no seio de famílias guerreiras. Eu não celebro. Mas lembro o dia. Com saudade, com MUITA saudade da minha pequenina. E admiração…

Pelos grandes guerreiros que não ficaram connosco. A minha L… A Catarina. O Vasco. O Hugo. A Eva. A Leonor. A Gui. O Dinis. O Afonso. O Sebastião. O Gui. A Laura. O Filipe. A Bianca. A Patrícia.

E pelos inspiradores que nos permitem todos os dias ver a sua garra. A minha Ritinha! O “microsobrinho” Filipe. O Tiago. O Ivo. A Leonor. A Mariana. A Madalena. As “Marias”. A Matilde. A Laura. O Daniel. O Simão. O António. O Diogo. A Ester. O João.

Tantos… Hoje é dia de os lembrar. E admirar. E aos fantásticos profissionais que acompanham dia após dia estes pequenos. Às vezes de coração nas mãos, mas sempre com um sorriso de esperança. Sempre com um abraço pronto, mesmo quando têm que fazer telefonemas difíceis. Mesmo quando não têm boas notícias para dar. Obrigada!

À equipa da UCIN do Hospital de Santa Maria, nunca vos esquecerei. A minha passagem foi breve, porque a da Nô também foi. Mas em 6 dias mudaram a minha vida. OBRIGADA!

E por hoje é só…

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Passatempo Fluffy Diapers

Já que até a RTP resolveu passar o “Before The Flood”, parece-me tempo de voltarmos a falar de ecologia por aqui. E nada melhor do que no contexto de um passatempo, verdade? :)

A Marisa da Fluffy Diapers resolveu dar a oportunidade a uma leitora aqui do blog de usar alguns dos seus produtos. Assim, a vencedora irá receber dois conjuntos de discos de amamentação reutilizáveis, 2 pensos menstruais de absorção moderada reutilizáveis e um conjunto de 5 discos de limpeza reutilizáveis.

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Já não uso discos de amamentação: as minhas mamocas já estão bem contidas [too much information? :P]. Mas dos outros dois itens, confesso que uso descartáveis. Em algodão biológico, marcas com pegada de carbono mais reduzida, mas ainda assim: descartáveis. A palavra só por si arrepia o ecologista que há em nós…

Também é a primeira vez que num passatempo do blog se vai oferecer algo que eu própria não experimentei. Mas isso vai mudar brevemente, não tenho dúvidas… Já espreitaram o site? Já se aperceberam da quantidade de coisas fofinhas por lá? E os tecidos, meu Deus? Quem me dera ser prendada e saber fazer algo com eles… E já deixaram um “like” aqui na página?

Mas voltando ao passatempo… como participar? Comentem no post do passatempo na página de Facebook, tendo a ecologia e o futuro do nosso planeta em mente. Falem do que vos preocupa, do que fazem para melhorar a vossa pegada ecológica, do que não fazem mas gostariam de fazer…o que a inspiração vos trouxer :) O autor do comentário com mais “likes” no dia 15 de Novembro pelas 23h59, será o vencedor. Se quiserem concorrer com mais do que um comentário, força! Deste lado quero muito ler as vossas opiniões. E de certeza que a Marisa também :) Durante o dia 16 ficaremos a conhecer o vencedor.

PS: Quem ler o blog, quiser participar, e não tiver Facebook, pode comentar aqui, deixando o seu nome e comentário, e eu transcrevo para o Facebook. Se participarem assim, enviem o vosso contacto para o e-mail do blog, para vos conseguir dizer algo se forem os vencedores.

Toca a participar!

Snoezelan Room

Há uns meses abriu a ForBrain da Amora. Apanhei pelo Facebook o anúncio da sua abertura, e a realização de alguns espectáculos sensoriais na Sala Snoezelen, aberta a crianças a partir dos 4 meses e seus familiares.

Já tinha ouvido falar na terapia em sala Snoezelen para crianças com algum tipo de necessidade educativa especial, baseada na indução de experiências sensoriais por materiais e técnicas específicas. Não sabia que pode ter também efeitos benéficos noutras faixas etárias, e em todo o tipo de pessoas, com ou sem necessidades especiais… Na verdade acho que todos temos necessidades especiais, mas foi uma escolha de palavras, e acho que sabem o que quis dizer.

Pois bem…ao cruzar-me com o anúncio de espectáculo sensorial aberto, a minha curiosidade falou mais alto e não hesitei em marcar; afinal Amora não era assim tão longe!

Não sabia bem o que esperar. Chegámos, e tirámos os sapatos. Entrámos numa sala escurecida, com várias luzes diferentes em feitio e cor, e com uma pessoa a tocar música ao vivo num teclado. O L ficou logo com um ar entusiasmado, e procurámos um lugar. O pequeno tinha aprendido a gatinhar há poucos dias, e só tinha vontade de treinar e treinar… E com tantas luzes a “chamá-lo”, foi complicado mantê-lo junto a mim.

O espectáculo começou, conjugando sons, cor, luz e interacção com todos os materiais. O L alternava as palminhas (quando a música era um pouco mais alta) com a vontade de ir a gatinhar até ao centro da sala, o palco do espectáculo. Na verdade, também eu tinha vontade de ir tocar tudo aquilo… É giro, muito giro. E posteriormente tive curiosidade em espreitar alguns vídeos disponíveis no YouTube da interacção de bebés, crianças, idosos, com diversos tipos de patologia, e aparentemente com respostas mais positivas do que outras técnicas frequentemente utilizadas.

Por aí, já conheciam? Fica aqui um pequeno registo fotográfico retirado do Facebook com a devida autorização. O L anda aí pelo meio…

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Posts de Convidados #5 – Cromossoma Extra

Já partilhei aqui que tanto na minha primeira gravidez como na segunda, houve a suspeita de trissomias (sendo mais provável a trissomia 21). Soube que não havia trissomia ao mesmo tempo que soube que ia ter uma menina. Mas enquanto não soube o resultado da amniocentese, imaginei muitas vezes como seria ter um filho com trissomia 21. Na segunda gravidez a dúvida persistiu mais tempo…desde as 22 semanas até às 38, quando o L nasceu. Decidimos não fazer amniocentese, pelo que certezas só mesmo depois do parto. Claro que imaginar não é a mesma coisa, mas acho que teria dado uma boa mãe de um bebé com trissomia 21. Seria a melhor que conseguisse, como sou agora para o L. Se a possibilidade é assustadora? Sim, claro que sim. Não conheço mais do que a possibilidade. Mas uma amiga conhece. E iniciou um blog chamado Cromossoma Extra para nos contar as suas aventuras com a sua filhota com T21. O desafio constante, o receio do futuro, a celebração de todas as pequenas vitórias… Mas pensando bem, não é assim com todas as mamãs? :) Ora atentem no testemunho…e logo depois espreitem o blog! :)

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“Ainda estava no recobro, deliciada com aqueles olhinhos amendoados e com aquele cabelo espetadinho, quando alguém me tocou no ombro e me disse: “Parabéns! É mãe.” Era o pediatra que tinha assistido ao parto. Foram talvez as palavras mais saborosas que alguém me dirigiu. E nos últimos 10 meses é assim que tem sido: SOU MÃE e pronto! Tenho uma filha muito desejada, sem “mas”, nem “talvez”.

Mas recuemos um pouco…

Às trinta semanas de gravidez ainda não sabíamos se seria menino ou menina. A cara de caso do médico intrigou-nos. Da suspeita à confirmação não passou sequer uma semana, mas foram dias de desespero e incredulidade. Tinha que ser um erro… O resultado da amniocentese trouxe a confirmação: o nosso bebé tinha Trissomia 21. E era uma menina. A nossa menina.

E como se reage a uma notícia destas? Mal, muito mal. De repente o mundo caiu-nos em cima. O nosso bebé, que sonhávamos lindo e perfeito, dizem-nos agora que nascerá com um conjunto de estigmas físicos, possivelmente com vários problemas de saúde e com um défice cognitivo. Ninguém quer ter um filho diferente! Chorei muito! Chorava e sentia-me cruel ao mesmo tempo, porque afinal era a minha filha que carregava. Acho que é uma parte incontornável do processo de aceitação. Se soubesse o que sei hoje, nunca teria deitado uma lágrima!

No meio deste turbilhão de emoções, havia uma decisão para tomar. E, sem dúvida, tomámos a decisão mais acertada.

Agora que já conhecem um pouco da nossa história, eis aquilo de que quero mesmo falar: afinal como é ser mãe de uma criança com Síndrome de Down? Já me abordaram algumas vezes na rua e perguntaram como estava a ser a experiência e eu, sem jeito, não consegui dizer nada mais que “normal”. Isso e darem-me os parabéns por ter tido coragem de a ter. Em vez de me parabenizarem por ter uma filha linda e super simpática, dão-me os parabéns por ter tido coragem de a pôr no mundo. Não foi coragem, foi amor.

Com o nascimento da princesa, a trissomia tornou-se um pormenor, somos apenas pai, mãe e filha. Com o tempo temos descoberto que ela é um bebé como os outros. Os estigmas físicos são somente aparência. Por detrás dela há uma criança que ri, que chora, brinca, reclama, gosta de música e de passear. Há uma menina doce, bem-disposta, persistente e já um pouco marota. Ela tem trissomia, mas não é a trissomia.

Tem sido uma caminhada de grande aprendizagem, para ela, mas sobretudo para nós. Quando olho para a minha filha sinto um orgulho que não consigo exprimir em palavras, porque eu sei o esforço que ela faz diariamente para conseguir fazer coisas que para a maioria das outras crianças são dados adquiridos. Acho que é aqui que reside a grande diferença em ser mãe de uma criança com trissomia: a valorização das aprendizagens. Cá em casa celebramos cada pequeno passo, como se fosse a maior das conquistas. Temos consciência do empenho que tem de haver por parte dela e da disponibilidade da nossa parte para a acompanharmos. 

O envolvimento dos pais na estimulação das crianças com trissomia é fundamental. Por muito bons que os terapeutas sejam, o tempo que passam com elas é claramente insuficiente. O nosso trabalho é constante, aproveitando todas as oportunidades que vão surgindo. E quando digo trabalho, leia-se brincadeira. Sim, por aqui brinca-se muito, mesmo quando achamos que não há tempo ou quando a paciência é pouca ou estamos cansados, brinca-se na mesma. Aqui a brincadeira é levada muito a sério! Mas sem exageros ou grandes pressões. O importante é entender que a nossa filha tem um ritmo próprio e devemos respeitá-lo, tentando não a fazer sentir frustração, nem nos frustrar a nós próprios. Ajudá-la no seu desenvolvimento é apenas cumprir o nosso papel. E fazemo-lo com prazer!

O que mais nos lembra da condição genética da nossa menina é a agenda, que nos obriga a consultas frequentes de várias especialidades. Já passámos pela estomatologia, cardiologia, otorrinolaringologia e dermatologia. Aguardamos pela oftalmologia. Já temos marcadas análises ao sangue e audiograma. Fora as consultas de desenvolvimento e a intervenção precoce. Isto sim é muito cansativo! 

Pensando melhor, valorizar os feitos dos filhos, dedicar-lhes tempo e cuidar da sua saúde são (ou deveriam ser) coisas comuns a qualquer pai ou qualquer mãe. Acho que posso dar muitas voltas à cabeça e não vou conseguir encontrar diferença nenhuma entre ser mãe de uma criança com trissomia ou de qualquer outra criança.

Podia falar do meu medo em relação ao futuro. Imagino sempre a minha filha a trabalhar e a ser autónoma. Não quero saber que me digam que pensar assim é negar a condição dela. Há tantos exemplos de pessoas com Síndrome de Down com vidas estáveis e completamente independentes, porque é que não há-de consegui-lo também? Podia falar dos meus receios em relação à saúde. Pela sua condição, pode ter mais predisposição para vir a desenvolver esta ou aquela patologia. Podia falar do medo do tempo em que já não estivermos cá para ela. E se ela precisar de orientação, quem a vai ajudar? Mas mais uma vez, não serão os medos comuns a qualquer pai ou qualquer mãe? Podem ser de índole diferente, mas não há pai nem mãe que, pelo menos de vez em quando, não se preocupe com o futuro.

Não, não consigo encontrar diferenças. E quando me perguntarem como está a ser a experiência, vou continuar a responder “normal”.

 Há três lições muito importantes que a minha filha me ensinou: é preciso viver um dia de cada vez, devemos valorizar aquilo e aqueles que realmente importam e todos os dias devemos procurar dar o melhor de nós a quem amamos. A minha filha é maravilhosa e tem-me permitido viver coisas fantásticas enquanto mãe. E é isto, SOU MÃE e pronto! Onde está a diferença?”