As primeiras férias (após a diversificação alimentar)

E depois de mencionar o regresso às aulas, nada como falar um pouco de férias, para recordar. Já vos falei um pouco das nossas férias neste ano, mas nunca vos falei das primeiras férias mais compridas, fora de casa, e com grande necessidade de planeamento (que aconteceram em 2016).

Tendo o L nascido em Junho, no Verão de 2015 não houve marcação de férias “oficiais”, e apenas aconteceram umas escapadinhas. Com um bebé abaixo dos 6 meses, a logística é mais complicada do que a do casal, mas em termos de alimentação do miúdo foi pôr a mamoca de fora e ficou resolvido.

Em 2016, já tinha mais de 12 meses, pelo que o leite já não resolvia totalmente a situação… Tínhamos o casamento de amigos na Madeira, e viagem e estadia marcadas já há bastante tempo. A ideia era ficarmos com mais 2 casais na casa de uma amiga.

Alojamento tratado, viagem comprada, tudo resolvido, certo? Erraddooooooo…..! E se os nossos amigos fizerem questão de horários muito diferentes dos do nosso bebé? E se não é fácil transportar a sopa nas voltinhas que queremos dar? Pior, e se não encontro legumes de confiança? E os pratos, petisca do que nós comermos em restaurante, uma semana inteira? E a hora a que está habituado a comer, que é tão diferente da nossa? Mantemos os horários dele e adaptamos, ou tentamos que se junte aos nossos? E se ele se farta de andar de carro? E se ele se aborrece e faz um escândalo? Levo as fraldas Bambo Nature para lá e gasto logo imenso espaço da mala, ou encomendo e fazem entrega logo lá (mas corro o risco de haver algum desencontro) ou arrisco comprar lá fraldas de uma qualquer marca que ainda não experimentámos e sem preocupações ecológicas? E se com a excitação deixa de conseguir fazer sestas, e fica rabugento? E se dorme mal pela mudança de cama, e por dormir no nosso quarto? E….? E…??

Cabeça de mãe [trenga] não pára. Tão stressada que estava com tudo isto (e por estarmos à distância de um vôo [caro] caso algo corresse mal), que quase não antecipei as férias com entusiasmo. Croma!

Correu tudo muito bem! Começámos a viagem com o fascínio do L. por aviões, e a espera no aeroporto foi muito divertida. A descolagem foi na maminha e depois com uma chupeta, e logo adormeceu, para voltar a acordar apenas ao aterrar de novo. O encontro com os nossos amigos (e companheiros de férias) foi tardio, e incluiu um jantar por volta das 23h! O miúdo muito bem disposto, e a contrariar todas as minhas expectativas.

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Dormiu SEMPRE bem, aguentou-se com os nossos horários, passeios, adorou a praia, a piscina, os lanches, e por vezes parecia sincronizar a sesta com a nossa vontade de jogar às cartas!

O casamento correu bem, e como aqui a Mamã pertencia ao coro convidado, foi mais cedo para um último ensaio. Quando o L chegou à Igreja, dizia-me “Adeus”, e gritava “Mamããããã!!!” com ar feliz. Na festa deu muitos passinhos com ajuda, comeu bem, e até ficou meia horinha com a babysitter de serviço à boda, muito interessado nas brincadeiras com outros meninos. Não aguentou acordado o tempo todo, mas deu para a Mamã e a Tia A. cantarem a música da dança dos noivos.

Há um pormenor importante para tudo ter corrido de forma descontraída: o L ainda não caminhava sozinho, e dava apenas uns passinhos com ajuda de pelo menos uma mão. Se estas férias fossem agora, seriam sem dúvida muito mais desafiantes:P

E desse lado, como têm sido as férias com bebés?

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Ora espreitem lá este blog #1 – “Sobre ser mãe e ser pediatra”

Descobri há uns tempos que uma das médicas com quem aprendi muito, é agora Mamã, e tem um blog sobre isto de ser mãe (que não se torna muito mais fácil por se ser também profissional de saúde). Na altura eu era interna do Ano Comum, e a I. era interna de Pediatria. Amparou-me bastante nesta busca por conhecimento, sempre com muita paciência e dedicação. E por isso fiquei muito feliz com o “nascimento” do seu rebento, e, claro, do blog :)

Os posts partilham muita informação importante, pelo que não podia deixar de vos convidar a visitar. Passem por aqui para o blog e aqui para a página de Facebook.

Assim, surgiu também a ideia de ir partilhando por aqui os blogs onde costumo parar, e os que mais gosto de ler. Partilhem também as vossas leituras, gosto sempre de conhecer “cantinhos” novos! :)

My little Waldorf L e mais um ano lectivo que começa :)

Veio Setembro, e com ele o final das férias do L… E cá por casa estamos entusiasmados com o regresso à escola! O L diz várias vezes que tem “xôdádes du’jamigos, da Xujana, da Xuaia, e da Cataína”.

É uma alegria sentir que o L gosta de ir à escola, traz muito das actividades que lá desenvolve para casa, canta as canções com alegria, fala do que fez no dia com entusiasmo, e (salvo raras excepções), fica muito animado por lá logo pela manhã, dizendo “Adeus” ao papá com vontade. Quando é a mamã a levar, a coisa por vezes fica um pouco mais complicada, e são necessários uns abraços e beijinhos adicionais, mas nada que não se resolva.

O L frequenta uma escola Waldorf, e agora que um ano passou, posso fazer o balanço: é óptimo, é exactamente o que imaginávamos quando ouvíamos falar sobre a pedagogia, é exactamente o que queremos para o L, e se por algum motivo tivesse que sair para uma escola mais “convencional”, seria uma enorme depressão para todos cá em casa.

Ouvimos falar na pedagogia por acaso, numa palestra de um americano sobre um tema totalmente diferente, e na breve descrição achámos fantástico e inovador em relação ao que estamos habituados a ver e ouvir (porque a pedagogia já é “velhinha”). Tentámos saber mais, e descobrimos que existiam já em Portugal várias escolas Waldorf. Como é que nunca antes tínhamos ouvido falar?

Tudo isto se passou no período de tempo em que fomos pais sem termos connosco um bebé, entre o nascimento da mana L. e do L, pelo que tivemos tempo para amadurecer tudo isto. Quando fomos morar para pertinho de uma escola que aplicava a metodologia e fomos conhecer, percebemos que era aquele o local e as pessoas a quem confiaríamos o nosso “pedacinho de céu” :)

Não sou a mamã Waldorf ideal (partilhei convosco o desatino com o fatinho de Carnaval manufacturado) e estou neste momento com um desafio delicado em mãos: bordar o nome do L para o identificar na escola. Bordar… eu… :X Ainda perguntei se não podia ser pintado, mas também não quero começar já a dar ao L. um exemplo de batotice…:P Ficar-nos-emos pelo exemplo de perseverança (isto sou eu a arranjar de antemão desculpas para o resultado final :D).

Mais contarei sobre a nossa experiência Waldorf brevemente. Entretanto, por aí, experiências educativas que queiram partilhar?

 

Coopérnico

Lembram-se do passatempo Fluffy Diapers, em que vos pedi que partilhassem os vossos hábitos ecológicos e planos futuros para tornarem as vossas vidas mais sustentáveis? Pois a partilha foi fantástica, deram-me ideias fabulosas, e adoptei alguns novos hábitos após ler o que foram escrevendo. Uma dessas novidades, foi mesmo uma total surpresa para mim: uma leitora que mencionou que a energia gasta em sua casa provinha de uma cooperativa de “energia verde”. Não fazia a ideia que tal coisa existia e fui tentar saber mais. Basicamente compram-se algumas “acções” para fazer parte da cooperativa, e depois disso podemos investir nos projectos sustentáveis que vão apresentando, e podemos trocar o contrato de fornecimento de energia na nossa casa de qualquer outra empresa para a Coopérnico. Assim fizemos, num processo simples e transparente, num investimento no futuro (nosso, do L, e de todos os que hão-de habitar o nosso planeta).

Lá em casa já temos energia fornecida pela Coopérnico. E desse lado, já conheciam esta cooperativa? No site e na página de Facebook podem ler mais, ou se quiserem um resumo  fofinho que explica [bem melhor que eu] todo o conceito, espreitem aqui.

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Casa das Penhas Douradas

As nossas férias continuaram, com uns dias nas Penhas Douradas (ou na “serra”, como diz o L.). Não vos sei explicar bem os critérios de selecção do hotel… Temos cá em casa uma lista onde vamos adicionando os hotéis que queremos experimentar, mas por serem dias em Agosto, praticamente excluímos logo Algarve e Alentejo litoral, que, imaginámos, estariam mais confusos. Achámos que seria bom haver também piscina interior, para o L. poder libertar o seu peixe interior independentemente de estar frio ou chuva. Comecei a ver hotéis simpáticos (ADORO espreitar hotéis…acho que é quase um hobbie meu, pois pesquiso mesmo quando não estamos a pensar viajar :X) que se enquadrassem nestes requisitos. Fiquei com uma lista grande… o passo seguinte foi passar ao Papá Bio, para ele reduzir a lista a 3 ou 4. Depois, em conjunto, decidimos o escolhido, com base nas características, serviços e preço: Casa das Penhas Douradas. E A localização nesta selecção não foi importante (apesar de eu antecipar logo bastante a paisagem da serra e campo, que adoro!).

A reserva foi feita há algum tempo, pelo que era uma das coisas que mais antecipava nestas férias… Tempo em família, sem horários, sem rotina…excepto acordar a tempo do delicioso pequeno-almoço, pois claro! [mas com um pequeno de 2 anos madrugador, e com buffet servido até às 11h, não foi complicado…:P].

A viagem até lá foi demorada, e por estradas “lentas”, mas nenhum de nós se importou e serviu para abrandar o ritmo desde o início. Seguimos as indicações que nos deram por mail (aparentemente o GPS confunde-se nas Penhas Douradas…:P) e chegámos àquela que seria a nossa casinha nos dias seguintes. “Noxa caja da serra” – como dizia o L. De facto assim nos sentimos, com todos os pormenores e atenção de TODOS os colaboradores a receber os clientes. O L ficou logo fascinado com um relógio de cuco, e sempre que passávamos na recepção perguntava pelo passarinho que fazia “cucu” [ou “tutu”, já que ainda não pronuncia bem os “c”. É sobretudo fofo quando diz ” tenho totó” :P]

O quarto era bastante acolhedor, com uma varanda em contacto directo com o jardim. O L quis logo ir experimentar a “piscina da serra” e os papás não se importaram nada. A piscina é aquecida, interior, mas com comunicação com um solário exterior. Para o L isso era irrelevante, pois o importante era estar na água. E quando nos trouxeram umas espetadinhas de fruta de boas vindas? O L logo perguntou “Qué ixo?”. “É fruta.” “Eu quéo!”. Lá fomos para o L comer a sua espetadinha… e a da mamã…e a do papá. E depois voltou à água…

 

Um dos miminhos que adorámos foi um lanche servido também em modo buffett até às 18h, onde podíamos ir petiscar depois do cansaço da piscina. O L não dispensava o seu copinho de iogurte natural (ou 2 copinhos, por vezes) e a fruta fresca. Os papás saboreavam o sumo natural, deliciosos croissants, bolos caseiros e fruta. Junto ao quarto também havia sempre disponibilidade de café (a Mamã agradeceu muito :P), chá e biscoitos. E acrescento ainda que o pequeno-almoço era também delicioso, bem como os pratos que provámos nos dias em que jantámos no Hotel: o L aprovou as sopinhas, e eu provei uma sobremesa que logo entrou para o top das melhores que já provei. E pronto, acabou a parte em que falo de comida…:P

E de resto? Fizemos um trilho curto, e enquanto o planeámos, lamentámos não ter levado o marsúpio para as férias. Mas no balcão referimos que íamos passear com o L e logo nos sugeriram emprestar-nos um dos que tinham disponíveis (não fazíamos ideia!). E logo arranjaram água e fruta para levarmos.

Na Casa, o jardim também era cenário de muitas brincadeiras, e o L gostava especialmente de duas espreguiçadeiras, que, talvez pelas rodinhas, ele imaginou serem dois autocarros… Então, quando estavam vazias, lá as limpava com todo o brio. O L passeou também com o Papá numa bicicleta, e adorou a experiência, apesar de ter dito 3 ou 4 vezes “Sai, papá”, pois queria era ir no selim e não na cadeirinha :P

 

A rotina mudou, e as sestas foram mais curtas (ou quase inexistentes). Mas felizmente esteve sempre bem disposto e muito interessado em participar em tudo. Recordei os meus dias de estudante num passeio breve na Covilhã, Sabugueiro, Seia, passeámos por Unhais da Serra (e espreitámos de fora o hotel que era a nossa 2ª opção:)), fomos à praia fluvial de Loriga, e o L molhou as pernocas em Vale do Rossim. Andámos muitos km por caminhos da serra (que adoro) e volta e meia o L dizia: “Vamos à piscina da serra?”. E sim, lá voltávamos para mais umas braçadas.

A despedida só não custou ao L porque o destino seguinte era para Viseu, onde ia matar saudades dos avós. Mas foi despedir-se dos seus dois “autocarros”, da “piscina da serra”, e disse um último adeus ao passarinho “tuto”. Ficámos com vontade de voltar, sem qualquer dúvida! E ficar uns dias no mesmo local foi óptimo, pois em férias anteriores aventurámo-nos a saltitar de hotel em hotel, e com um pequeno (e todos os extras necessários) o fazer e desfazer malas era aborrecido, e nunca sentimos que aproveitávamos realmente o local. Desta vez foi fantástico!

 

 

 

Workshop de taças tibetanas para o L. (mas foi mais para a Mamã :P)

Combinei com a mamã da M. (uma colega de escola do L.) levarmos os pequenos a um workshop de taças tibetanas no Centro Árvore dos Bebés, em Loures. Eu, que adoro o som, estava super entusiasmada… O L., quando lhe expliquei a versão simplificada, também! “Vamos tocar música com a M.?” “Sim! Qué tocá mújicas com a M.!”.

Talvez ele tenha imaginado xilofones, tambores ou pianos… E lá fomos, no último sábado… Mas quando chegámos, ficou curioso com o que estava preparado para nós sobre o tapete. “Qué ito??” – perguntou. Mas logo perdeu o foco, e disse no seu tom de voz pouco dado ao ambiente zen que já se instalava na sala: “Mamã! Uma vintoínha!!!” Não dei logo por ela, e procurei-a no tecto… Olhei à volta brevemente, e encolhi os ombros, voltando a focar-me na Ângela, dona das taças e todos os instrumentos presentes. “Ali!!! A vintoínha!!” Ah, realmente estava uma ventoínha colorida num cantinho. “Uma ventoínha! Pois é, L. Mas olha ali aquelas taças tão giras!”. Todos os outros participantes sentadinhos no seu lugar, a aguardar o início, e o L a caminhar ali à volta, a olhar para tudo e todos.

“L., não queres sentar aqui ao pé da mamã?”. “Não.” – e lá continuou a explorar. Quando o som de que a Mamã tanto gosta começou, e as taças começaram a fazer música, o tom de voz do L não baixou. “Mújica! É de dumire!!” – o pequeno gosta de relatar tudo, e só consegue falar baixinho quando nós lhe falamos baixinho. Mas também sussurra só a primeira frase, depois diz o resto no seu tom normal.

Começou a usar-se o pau de chuva… depois um instrumento cujo nome não atentei, mas que simula o som das ondas. Logo os comentários do pequeno “Tá a chubêre?? Ah! É a paia!!” :P

E eis que chegou o momento dos pequenos poderem experimentar. O pequeno explorador lá começou a “tocar” nas taças. Visto de fora, o movimento era mais parecido com o de cortar lenha, talvez… Mas o som era bonito na mesma! O pau de chuva foi outro grande foco de atenção, e o papá foi ajudando. A “chuva” caíu toda, e ele “Ôta bez!”. Mais chuva… “Ôta bez!” E mais chuva… “Agora deixas os outros meninos experimentar?”

E presumo que achou que já tinha experimentado tudo por ali, mas ficou-lhe no olho uma cozinha de brincar que ficou no hall do espaço. E um camião. E umas folhas para pintar. Mas sobretudo a cozinha, acho, que ele agora inventa cozinhas em qualquer sítio, e lá anda num vai e vem tal da cozinha imaginária (ou, quando há, de brincar) até nós, a trazer-nos bolos, biscoitos, bolachas e sopa… quase tudo de alfarroba ou beterraba, porque são palavras que ele acha muito divertidas.

E lá foi com um ar decidido até à porta da sala, abriu-a, saiu, e voltou a encostá-la. O papá foi atrás, e a mamã aproveitou mais um bocadinho o som das taças. Mas logo se juntou aos seus homens que estavam, pois claro, a “cozinhar”.

“-Estás a fazer esparguete, L.?”

“-Sim! Tô a fajê piguete! Qués?”

“-Sim, dá-me um bocadinho!”

“-Toma! Um becadinho de piguete…e b’terraba!”.

“- Obrigada! Não queres ir lá dentro mais um bocadinho?”

“Não. Tô a fajê piguete, bês?”

Ainda voltou, no entanto, e viu a M. demonstrar-lhe como tocar a taça na barriga… Mas a cozinha estava cá fora, à espera, e ele não quis partir-lhe o coração com saudade:P E lá voltou aos seus cozinhados.

E a Mamã lá se dividiu entre as taças tibetanas e as taças de “piguete” imaginárias. Mas conhecemos o espaço Árvore dos Bebés, de que já tinhamos ouvido falar muito bem, e que é realmente giro, com uma lojinha que adorei (e à qual tenho que voltar com mais calma), e ficarei atenta a novas actividades. Ou voltaremos para brincar na cozinha ;)

 

 

Às mães de todos os tipos: Feliz Dia!

Todas as mães se tornam mães em momentos diferentes. Creio que a maioria se transforma em mãe no momento de um teste de gravidez positivo, ou ao espreitar um pequeno ser mexeruco na primeira ecografia. Há as que apenas se sentem mães quando pegam o seu rebento nos braços, e sentem o seu cheirinho pela primeira vez. Há as que se tornam mães quando ouvem o primeiro choro do bebé. Há as que se sentem mães já decorridos uns dias [ou meses, ou o tempo que seja] depois do seu rebento nascer. Há as que se tornam mães no momento em que sentem dentro de si a vontade de o serem, e são mães no seu coração, muito antes ainda de terem vida a crescer dentro do seu útero.

Algumas destas mães, nunca chegam a ter vida a crescer dentro do útero, por diversas razões [ou injustiças] da biologia, do destino, sei lá… Mas são mães. Outras demoram muito tempo a consegui-lo, mas são mães desde que o desejam.

Algumas destas mães têm o seu sonho interrompido na gravidez, e permanecem de colo vazio. Mas são mães.

Algumas têm gravidezes difíceis, quer por razões médicas, quer por terem algumas expectativas defraudadas. Mas são mães.

Algumas têm gravidezes fáceis, e quase nem se lembram que estão grávidas, e são mães também.

Algumas não lidam bem com a realidade que foi o seu parto, vs as expectativas que tinham, mas são mães.

Outras sentem-se tristes, não compreendem porquê, e não partilham com ninguém, porque acham que a sociedade não vai perceber como é possível estar triste numa altura que é “a melhor da vida de qualquer mulher”. E sofrem em silêncio. Mas são mães.

Outras zangam-se de vez em quando com essa sociedade, por nunca ter clarificado que a maternidade é difícil, é um desafio que nem sempre se reveste de cor, e é mesmo assim! E não há mal nenhum nisso. E são mães.

Outras passam pela experiência sem stress, e tudo é realmente cor de rosa a 100%. E são mães!

Algumas têm o privilégio de ter filhotes saudáveis, mas outras têm pequenos com o mais diverso leque de doenças, e lidam diariamente com os desafios que vão surgindo. Umas vezes com força inabalável, outras com desespero, mas sempre com a esperança de que melhores dias virão. E todas são mães.

Algumas vêem os seus filhos morrer antes delas: na gravidez, no parto, em recém nascidos, ou adultos, E são mães, nunca deixam de ser mães.

Há também as mães que não geraram os seus filhos, mas são mães. São pessoas sem qualquer ligação de sangue ao filho, ou são avós, ou tias, ou…sei lá. Acolhem no seu coração de mãe alguém que considerarão para sempre filho, porque a mãe de sangue, seja por que razão for, não pode ser mãe. Podem ser também pais…não há por aí tantos papás que são também mãe, para além de pai?

Eu senti-me mãe na primeira ecografia. E a partir do momento em que me tornei mãe, não mais deixei de o ser. Fui mãe enquanto a minha filha estava na UCIN e tinha outras “mães” e o pai também foi mãe. Fui mãe enquanto lhe dei colo, horas antes dela morrer. Fui mãe no funeral dela. Fui mãe noutro teste de gravidez positivo. Fui mãe em todas as ecos, e em todos os dias em casa, e todas as “picadinhas” na barriga para o L crescer bem e saudável. Fui mãe em todos os medos relacionados com a gravidez. Fui mãe em todos os medos relacionados com o parto. Fui mãe na falta de força para puxar que tive no final. Fui mãe nas dificuldades que tive a dar a maminha, tal como fui mãe nos momentos em que tudo correu bem. Fui mãe quando o entreguei para as mãos de uma enfermeira para ser operado, ou quando o entreguei nas mãos do médico para o engessarem desde as pontinhas dos pés até às virilhas. Sou mãe em cada momento cúmplice, sorriso, canção partilhadas com o L. Sou mãe em cada suspiro ou lágrima de saudades da minha Nô. Sou mãe quando sou a mãe que quero ser, mas também sou mãe quando estou de rastos com cansaço, e perco a paciência momentaneamente, ou falo mais alto. Sou mãe quando preparo tudo a preceito com alimentos biológicos, mas também sou mãe quando descontraio e vamos comer fora, e sei que se arranjará qualquer coisa descontraída para o L poder comer. Sou mãe quando dou carinho, e sou mãe quando tento estabelecer limites, da melhor maneira que sei. Sou mãe quando tenho a casa arrumadinha (geralmente só umas horas depois da colaboração da “nossa” Liliana, admito), ou quando a casa está num caos. Sou mãe. E faço o melhor que sei, e sempre com margem grande de evolução.

E por isso deixo os meus parabéns a todas as mães. Admiro todas, e todos os dias, mas fica aqui o registo escrito hoje. FELIZ DIA DA MÃE :)

0% BPA

Confesso que antes de ser mãe, nunca tinha atentado verdadeiramente na questão do bisfenol A (ou BPA para os amigos). Não é que agora domine o assunto, mas a forma quase sensacionalista como maioria das marcas de bebé ressalva o “BPA free”, fez-me reconsiderar o uso de recipientes de plástico ou similares sobretudo para armazenar comida. Praticamente deixei de usar caixas de plástico, e substituí todas por vidro. O mesmo para o L, mantendo apenas algumas das tais sem BPA. Algumas empresas juram a pés juntos que é uma preocupação infundada… mas como também não se sabia que o amianto era prejudicial à saúde até passarem vários anos da sua utilização, prefiro jogar pelo seguro, mesmo que esteja a ser parvinha. Por isso agora não me venham cá dizer que o vidro também pode ser perigoso, por favor… Agradecida! :P

Têm cuidados nessa área? Alguém mais entendido nesta matéria desse lado, que queira acrescentar algo relevante? Obrigada desde já, adoro aprender! Nem que tenham que me chamar croma por estas decisões! :)

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Carnaval de sonho da Mamã Bio em 3 passos

1 – Mamã Bio vê, em 2003, um dos filmes mais  bonitos sobre a família, a resiliência e o AMOR (chama-se “Na América“), e há uma cena super fofa em que os pais de duas pequenas amorosas decidem fazer-lhes os fatinhos de Carnaval, pois não têm possibilidade económica de os comprar. São as únicas meninas com fatos feitos à mão, e são um pouco gozadas pelos outros meninos. Decidi naquele momento que quando tivesse um pequeno também lhe havia de fazer fatinhos de Carnaval à mão.

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2 – Em 2017 Bebé L frequenta uma escola que estimula os pais a fazerem os fatinhos de Carnaval aos pequenos. YESSSSS!

3 – Mamã Bio apercebe-se que em teoria é tudo muito bonito, mas na prática é uma pessoa muito pouco prendada para trabalhos manuais (incluindo costuras). Jeitinho para coser, só mesmo pele “rachada” :/ Mas Mamã Bio deu o seu melhor, e espera que as pessoas reconheçam o fato, e achem o miúdo integrado na temática da sala (que é “Os anõezinhos”). Wish me luck!

Escapadinhas #3 Cooking and Nature

Há cerca de um mês estávamos por esta hora a caminho de uma “escapadinha” especial, a caminho do Hotel Cooking and Nature, que desde 2013 repetimos todos os anos pelo menos uma vez. Em 2013, foi o nosso refúgio durante uns dias. Dos dias mais difíceis da minha vida, depois da minha borboleta voar… E cada recanto do hotel, cada música que ouvi, cada aroma que senti, ficou gravado para sempre em mim como símbolo da felicidade que teimei em reencontrar. Em honra à minha borboleta. E como que para testemunhar e selar este meu compromisso comigo mesma, várias dezenas de borboletas esvoaçavam pelos jardins do Hotel. Em 2013 foi assim. Ficámos no quarto Simplicidade/Meditação. Experimentámos o workshop de cozinha, em que, com as indicações de um Chef, cozinhamos o nossos próprio jantar.

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Em 2014, regressámos os dois, ao Aconchego/Protecção. Em 2015 fomos já 3, e foi o culminar do meu voto de ser feliz… É um desafio bem menor, tentar ser feliz com um pirralhinho bem disposto como o L! :) Ficámos no Passado/Nostalgia. Lembro-me que foi a primeira saída a 3 para passar o fim de semana fora de casa, e foi memorável. Usei pela primeira vez o avental de amamentação da Pulguinhas (só descobri que tal artigo existia alguns dias antes), lembro-me que o miúdo ainda mamava a toda a hora, desalmadamente, mas nos intervalos ainda deu para realizar algumas actividades básicas, como cantar ou tocar para ele…

As refeições ainda eram feitas com o desejo secreto de que ele estivesse a dormir a essa hora, para conseguirmos comer alguma coisa… É que o rapaz adorava colo, mas de preferência colinho em modo passeio. Esperar no carrinho, ou ter um colinho com a pessoa sentada não parecia muito do seu agrado. Por isso também me lembro bem dele não ter dormido, e lá andar eu e o pai a mostrar o restaurante ao pequeno à vez :P

Este ano, o rapagão já passou a fronteira além do leite materno, e as refeições partilhadas com ele são muito mais divertidas…

Pois bem, há umas semanas, o A. perguntou-me: “Então e este ano, quando vamos ao Cooking?”. Tínhamos à nossa frente uns fins de semana complicados, mas não podíamos deixar passar a visita… Lá arranjámos um em que deu, e reservámos. Ficámos no Futuro/Destino e foi o nosso preferido até agora (não só pelo nome ;)). O quarto todo alcatifado foi um descanso para os passinhos para a independência do L, e descobriu por lá imensos recantos para a brincadeira. No quarto, e pelo hotel todo…

Conseguimos ainda fazer uma visita às Gruta da Moeda, e não sabíamos bem qual seria a reacção do L. Mas enfiadinho no marsúpio, às costas do pai, adorou o percurso e espreitar os recantos que iam surgindo. E toda a “bábua” que se via por lá. Felizmente não reparou nas moedas dos vários lagos artificiais, senão tenho a certeza que em vez de atirar uma, ele queria era tirar algumas para trazer para o seu leãozinho-mealheiro. A caminho do hotel, reparámos num sinal que dizia “Pia do Urso – EcoParque Sensorial” e fui logo espreitar o que seria… Pelo que o Google me deu a entender, era uma pequena aldeia com um percurso de diversas experiências sensoriais, pensadas de raíz para invisuais, mas que nos leva numa sensação mágica de convivência com o meio circundante. Claro que fomos espreitar, e adorámos! A recuperação da aldeia conjuga-se na perfeição com os elementos naturais sempre presentes, e o percurso é fantástico para crianças. O L adorou, desta vez às costas da mamã. Mas ficou a vontade de voltar, para desta vez ele sentir o percurso pelo seu próprio pé.

À noite, no hotel, espreitámos o “fogoooo” (palavra nova que o L aprendeu no fim de semana) que se acende na zona exterior do hotel. Brincámos muito antes da hora de ir dormir, e a noite correu muito bem (como não está habituado a dormir em berço, ficamos sempre com esse receio, mas não houve problema). De manhã, atacou o pequeno almoço cuidadosamente preparado com produtos frescos e locais.

Fica sempre a vontade de voltar…e para o ano haverá, certamente, mais! :)

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