Às mães de todos os tipos: Feliz Dia!

Todas as mães se tornam mães em momentos diferentes. Creio que a maioria se transforma em mãe no momento de um teste de gravidez positivo, ou ao espreitar um pequeno ser mexeruco na primeira ecografia. Há as que apenas se sentem mães quando pegam o seu rebento nos braços, e sentem o seu cheirinho pela primeira vez. Há as que se tornam mães quando ouvem o primeiro choro do bebé. Há as que se sentem mães já decorridos uns dias [ou meses, ou o tempo que seja] depois do seu rebento nascer. Há as que se tornam mães no momento em que sentem dentro de si a vontade de o serem, e são mães no seu coração, muito antes ainda de terem vida a crescer dentro do seu útero.

Algumas destas mães, nunca chegam a ter vida a crescer dentro do útero, por diversas razões [ou injustiças] da biologia, do destino, sei lá… Mas são mães. Outras demoram muito tempo a consegui-lo, mas são mães desde que o desejam.

Algumas destas mães têm o seu sonho interrompido na gravidez, e permanecem de colo vazio. Mas são mães.

Algumas têm gravidezes difíceis, quer por razões médicas, quer por terem algumas expectativas defraudadas. Mas são mães.

Algumas têm gravidezes fáceis, e quase nem se lembram que estão grávidas, e são mães também.

Algumas não lidam bem com a realidade que foi o seu parto, vs as expectativas que tinham, mas são mães.

Outras sentem-se tristes, não compreendem porquê, e não partilham com ninguém, porque acham que a sociedade não vai perceber como é possível estar triste numa altura que é “a melhor da vida de qualquer mulher”. E sofrem em silêncio. Mas são mães.

Outras zangam-se de vez em quando com essa sociedade, por nunca ter clarificado que a maternidade é difícil, é um desafio que nem sempre se reveste de cor, e é mesmo assim! E não há mal nenhum nisso. E são mães.

Outras passam pela experiência sem stress, e tudo é realmente cor de rosa a 100%. E são mães!

Algumas têm o privilégio de ter filhotes saudáveis, mas outras têm pequenos com o mais diverso leque de doenças, e lidam diariamente com os desafios que vão surgindo. Umas vezes com força inabalável, outras com desespero, mas sempre com a esperança de que melhores dias virão. E todas são mães.

Algumas vêem os seus filhos morrer antes delas: na gravidez, no parto, em recém nascidos, ou adultos, E são mães, nunca deixam de ser mães.

Há também as mães que não geraram os seus filhos, mas são mães. São pessoas sem qualquer ligação de sangue ao filho, ou são avós, ou tias, ou…sei lá. Acolhem no seu coração de mãe alguém que considerarão para sempre filho, porque a mãe de sangue, seja por que razão for, não pode ser mãe. Podem ser também pais…não há por aí tantos papás que são também mãe, para além de pai?

Eu senti-me mãe na primeira ecografia. E a partir do momento em que me tornei mãe, não mais deixei de o ser. Fui mãe enquanto a minha filha estava na UCIN e tinha outras “mães” e o pai também foi mãe. Fui mãe enquanto lhe dei colo, horas antes dela morrer. Fui mãe no funeral dela. Fui mãe noutro teste de gravidez positivo. Fui mãe em todas as ecos, e em todos os dias em casa, e todas as “picadinhas” na barriga para o L crescer bem e saudável. Fui mãe em todos os medos relacionados com a gravidez. Fui mãe em todos os medos relacionados com o parto. Fui mãe na falta de força para puxar que tive no final. Fui mãe nas dificuldades que tive a dar a maminha, tal como fui mãe nos momentos em que tudo correu bem. Fui mãe quando o entreguei para as mãos de uma enfermeira para ser operado, ou quando o entreguei nas mãos do médico para o engessarem desde as pontinhas dos pés até às virilhas. Sou mãe em cada momento cúmplice, sorriso, canção partilhadas com o L. Sou mãe em cada suspiro ou lágrima de saudades da minha Nô. Sou mãe quando sou a mãe que quero ser, mas também sou mãe quando estou de rastos com cansaço, e perco a paciência momentaneamente, ou falo mais alto. Sou mãe quando preparo tudo a preceito com alimentos biológicos, mas também sou mãe quando descontraio e vamos comer fora, e sei que se arranjará qualquer coisa descontraída para o L poder comer. Sou mãe quando dou carinho, e sou mãe quando tento estabelecer limites, da melhor maneira que sei. Sou mãe quando tenho a casa arrumadinha (geralmente só umas horas depois da colaboração da “nossa” Liliana, admito), ou quando a casa está num caos. Sou mãe. E faço o melhor que sei, e sempre com margem grande de evolução.

E por isso deixo os meus parabéns a todas as mães. Admiro todas, e todos os dias, mas fica aqui o registo escrito hoje. FELIZ DIA DA MÃE :)

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